Tua cultura do trabalho

Quem dera ser um navio
Naufragando em mim mesma,
Reconstruindo argumentos,
Questionando certezas

Sem ancoras para impedir,
O tsunami e o forte vendaval,
Somos pontas de icebergs ignorados
E agimos como frágeis naus

O rei, o capitão-mor
Cria tripulantes e mendigos
Para beijar mãos e pedir alívios,
A dor que devoro é a mesma que desestabilizo

Não, não és broca ou galeria escrava
Será se ignorares os livros, trocando-os por enxadas
Mente fértil não só trabalha,
Reconstrói rotas e inventa jornadas

Afunde-me vida, no conhecimento e na arte
Na alegria que nenhum tolo abate
Na embarcação pessimista e patriarcal,
Sou mente sadia, não cinzas, nem cal

Não gastes tua vida em ferrenha labuta,
Para gastastes novamente ao labutar
Come do fruto das tuas obras
Mas tua mente é a primeira que deves alimentar



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É aos escravos, e não aos homens livres, que se dá um prêmio para os recompensar por se terem comportado bem.

Espinoza , Baruch

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