CLXXVI

Fora do tom

Gravuras que imitam as faces
Que enganam o tom
Torturam o lápis
Que doce autor inventou
A prosa da realidade?

Se minhas palavras são ecos
Do que minh'alma deseja gritar
E a morada do ser é o sótão
Tão alto é o edifício
Daqueles que desejo alcançar

Grito, grito, porque está despido
A feroz vida do seu comodismo
Pego as harpas, outrora penduradas
Para aclamar minhas palavras
Apago das suas folhas minha antiga estada

Vem! Despejando tudo que podes ser
No pouco que podes viver
Nas poucas palavras que podes dizer
E esse mundo parcial
Chorará ao vê-lo morrer

Sem estátuas ou vazios aplausos,
Só restará o sadio tom e seu compasso
Levando a ressurreição
Para seus cantos de desilusão
Do silêncio com tumulto falso


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